Coletivos, comunidades e redes. Um amadurecimento em curso.

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Vai morrendo 2015 para que 2016 possa nascer e assim possamos continuar a alimentar a nossa ilusão de amadurecimento linear.

Achamos que estamos vindo do passado e indo para o futuro passando pelo presente.

Como se fosse uma linha…, de forma linear.

A evolução linear é mais um conceito implantado nas nossas cabeças pela  educação da era industrial que produz em linha, ou seja, opera uma linha de produção.

Só que a linha não existe na natureza, não existe no exponencial espaço-tempo contínuo.

O que chamamos de passado são as nossas memórias e essas acessamos agora.

O que chamamos de futuro são as nossas expectativas e com essas também interagimos no agora.

Na verdade a única coisa que existe é o agora, o presente e por isso é meio que bobagem pensar que estamos indo para o ano novo pois tudo já esta presente agora.

Não precisamos ir para lugar nenhum pois já estamos no único lugar que há, o presente, o agora.

Libertador né?

Apesar disso há sempre a mudança, a transformação.

A mudança é a única constante do universo.

Mas se ficamos no mesmo lugar porque já estamos no único lugar que existe o que muda?

O que muda é a nossa percepção das coisas.

A coisa muda em nós e não no espaço-tempo.

É  a nossa percepção da nossa relação com o ambiente que integramos e que também nos integra que muda.

Ela amadurece.

O que muda é o nosso amadurecimento na compreensão de nossa integridade com o espaço-tempo.

Não de forma linear mas sim de forma exponencial.

A diferença entre o linear e o exponencial é que o primeiro é manso, uma etapa depois da outra e o segundo não é para fracos pois acontece por saltos quânticos tudo ao mesmo tempo agora.

Dá uma olhada aê no vídeo do Silvio Meira falando sobre isso para entender melhor a “bagaça”:

Como diz o Silvio no vídeo “o futuro vem do futuro” e portanto não dá para ficar prevendo-o.

Mas, a gente “num guenta” né? rs

Estou vendo algumas matérias preditivas sobre 2016 que estão me chamando a atenção e queria deixar registrada aqui uma visão.

Nessa matéria o Silvio Meira mesmo fala : “…mercados em rede, que não é uma tendência, mas uma certeza…”

Nessa outra há uma análise interessante sobre os conflitos que emergem da atuação de empresas como o uber (um mercado em rede) que não são fáceis de serem definidas pois o seu capital operacional é distribuído mas o capital societário é centralizado.

Esta outra aqui  especula sobre novas soluções possíveis de registro de pactos organizacionais emergentes a partir do blockchain .

As estruturas jurídicas disponíveis atualmente não acolhem a necessidade do comum.

O comum é um conceito muito sofisticado.

Não estamos acostumados com ele.

O comum é aquilo que não é de propriedade de ninguém mas, por afetar a vida de todos, deveria ser de responsabilidade de todos também.

Não sabemos o que é isso pois ou vemos a coisa como propriedade privada ou propriedade pública.

Aquilo que é meu, é meu. E aquilo que é de todos é do governo.

Eu cuido do que é meu e o governo cuida do que é de todos.

É por causa desse raciocínio que a coisa anda uma belezura.

O comum é difuso, não é de ninguém mas afeta a todos.

A água é comum, o ar é comum.

Afeta a todos nós e portanto deveria ser de responsabilidade de todos nós sem ser de propriedade de ninguém.

Não temos uma figura jurídica para isso no mundo todo pois, como ainda operamos em padrões mais centralizados do que distribuídos, pensamos que ou o governo cuida ou alguém cria uma entidade privada (ong, fundações, associações, institutos e por ai vai) para cuidar do que é comum.

É aí que se instala a tragédia dos comuns.

Essa coisa da gestão do comum é tão complexa e importante que até já rendeu um nobel para a Elinor Ostrom.

Mas é o comum e está emergindo nos mercados em rede.

Porque existir um proprietário da plataforma tecnológica que conecta recursos distribuídos como carros e seus respectivos motoristas como, por exemplo, no uber?

Ou imóveis e seus respectivos moradores como no airbnb?

Se essas plataformas atendem às necessidades de conexão da comunidade porque não são bens comuns?

Bens que não são de propriedade de ninguém mas de responsabilidade do poder distribuído pelos nós da comunidade?

Complexo? Complicado? Difícil?

Esse amadurecimento esta em curso.

Entender a diferença entre coletivos, comunidades e redes é um dos importantes amadurecimentos em curso.

Rede é o campo de possibilidades que a tudo conecta.

Não é nominável, não tem identidade.

É o vazio composto por energia e matéria escura.

É o oculto, o imanifesto.

Se for nominado deixa de ser rede.

Coletivos são os agrupamentos de indivíduos.

Não importa se são para fins empresarias, sociais, religiosos, espirituais, científicos, educacionais, esportivos, militares, colaborativos, competitivos ou qualquer outro.

Servem para se manifestar um fim, uma finalidade.

A comunidade é uma infra estrutura comum que acolhe a manifestação dos indivíduos organizados ou não em coletivos.

A rede permeia a todas as comunidades, coletivos e indivíduos integrando-os em um único organismo.

Essa visão sistêmica, do sistema ainda não esta totalmente amadurecida.

Ainda nos perdemos na percepção do todo, do uno.

Mas a coisa está em curso.

Se adensando no agora.

A minha visão é que se materializará no próximo salto quântico um entendimento mais profundo do papel do comum no sistema e isto dará base para uma grande transformação nos padrões organizacionais atuais.

Talvez sendo registrado no blockchain…não sei.

Quem viver verá.

Feliz 2016, agora!

<3 +$ = 🙂