Novos Pensadores | Vídeo 5

Guerra

Vídeo 5 (05/02/18)
 
TEMAS TRATADOS OU MENCIONADOS NA SESSÃO 5
DO PROGRAMA NOVOS PENSADORES
 

Recomenda-se a leitura dos seguintes artigos:

1) Quinze declarações sobre a guerra

2) A política democrática é uma "arte da guerra" ou uma "arte da paz"?

3) 1984 de Orwell

Vale a pena ler o livro 1984 de George Orwell (1949). Você pode baixar o PDF NESTE LINK.


UM PRIMEIRO EXERCÍCIO COLETIVO DOS NOVOS PENSADORES

No webinar 5 abordamos o tema da guerra. É o tema central para a aprendizagem da democracia (na medida em que guerra é autocracia e aprender democracia é desaprender autocracia). Um dos Novos Pensadores que melhor desvendou o sentido mais profundo da guerra foi George Orwell, que publicou, em 1949, a distopia intitulada 1984 (Nineteen Eighty-Four). Em 1984 a guerra é o fundamento de tudo. Mas não apenas a guerra quente, a guerra violenta de facto, e sim a guerra que era simulada como engendramento para construir e manter inimigos como pretexto para reproduzir cosmos sociais estruturados segundo padrões autocráticos e regidos por dinâmicas autocráticas.

Em um antigo programa intitulado 100 Dias de Verão (realizado por cerca de cem pessoas no verão de 2015) estudou-se o livro 1984. Um estímulo para a reflexão partiu de algumas questões (de múltipla escolha, porém com mais de uma alternativa possível) que podem também servir agora à iniciativa dos Novos Pensadores.

A proposta aqui é a seguinte. Vamos ler o livro 1984 (disponível para download neste link) e tentar responder às questões abaixo. Em próximos webinars essas questões serão comentadas.


QUESTÃO 01

01 - Na distopia de Orwell em 1984, o duplipensar (duplipensamento) mantém o estado de guerra mesmo que os membros do Partido Interno (Núcleo do Partido) saibam que ela é fictícia. Isto acontece, em sua opinião, porque: (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) Eles são obrigados a continuar agindo como se a guerra fosse real.

b) Eles têm consciência de que a guerra lhes assegura privilégios.

c) Eles acreditam que a qualquer momento a guerra pode se tornar real pois têm consciência da presença do inimigo.

d) Eles têm uma fé mística de que a guerra é real e de que a Oceania vencerá.

e) Nenhuma das alternativas anteriores


QUESTÃO 02

02 - Em 1984, a guerra contínua favorece a base econômica e psicológica da sociedade hierárquica porque: (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) Destrói o excesso de bens materiais produzidos e gera o medo da escassez.

b) Destrói parcialmente a capacidade de produzir bens de consumo ao gerar a necessidade da produção contínua de armas de guerra, o que por sua vez reforça crença de que a guerra é real.

c) Gera não apenas o trabalho contínuo pela destruição dos bens produzidos, mas também a militância fanática dos membros do Partido.

d) Nenhuma das alternativas anteriores.


QUESTÃO 03

03 - Qual o principal objetivo da guerra no mundo de 1984? Leia o trecho do livro atribuído à Confraria (nome de uma suposta resistência clandestina ao regime totalitário do Big Brother, quer dizer, do Partido Interno) - que foi reproduzido no artigo 1984 de Orwell - e depois escolha a(s) melhor(es) alternativa(s): (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) A guerra era funcional para a manutenção do regime e seu objetivo não era destruir os inimigos, senão mantê-los como pretexto para organizar cosmos sociais segundo padrões hierárquicos regidos por modos autocráticos.

b) A guerra real (o conflito armado e violento) não era necessária para a manutenção do regime de 1984 e sim o estado de guerra (como "assunto puramente interno") por meio do qual podia-se justificar qualquer medida de manutenção do poder nas mãos do Partido Interno.

c) A guerra em 1984 era equivalente à paz como manutenção de um sistema de equilíbrio competitivo, a paz celebrada como coroação da guerra, não para superá-la e sim para mantê-la indefinidamente (a paz como elo de ligação entre a guerra anterior e a próxima guerra).

d) Nenhuma das alternativas anteriores.


QUESTÃO 04

04 - No capítulo 5 da primeira parte de 1984 há um diálogo entre Winston e Syme, filólogo especialista em Novilíngua (Novafala), sobre a Décima Primeira (e definitiva) edição do dicionário do novo idioma. Ao comentar a obra, Syme diz: “- Estamos dando à língua a sua forma final - a forma que terá quando ninguém mais falar outra coisa. Quando tivermos terminado, gente como você terá que aprendê-la de novo. Tenho a impressão de que imaginas que o nosso trabalho consiste principalmente em inventar novas palavras. Nada disso! Estamos é destruindo palavras - às dezenas, às centenas, todos os dias. Estamos reduzindo a língua à expressão mais simples. A Décima Primeira Edição não conterá uma única palavra que possa se tornar obsoleta antes de 2050.” Este projeto indica que: (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) Há uma clara preocupação por parte do Partido com a simplificação da linguagem, visando uma maior dinâmica da comunicação e diminuindo as diferenças sociais manifestas no uso de estruturas inúteis da língua.

b) Como a Ocêania é um estado de grandes dimensões, faz-se necessária uma normalização da língua para que conflitos sejam evitados.

c) O Partido deseja aumentar a participação política e para isso simplifica a língua, permitindo que cidadãos menos cultos e eruditos possam participar de decisões políticas em condições de igualdade.

d) O controle da língua e das linguagens facilita o controle do pensamento. A redução das expressões e de suas possibilidades de recomposição diminuem a capacidade de reflexão e de articulação dos indivíduos, e compõem um complexo sistema de domínio das ideias.

e) Nenhuma das alternativas anteriores.


QUESTÃO 05

05 - No livro 1984 de Orwell não encontramos o uso sistemático de drogas, nem uma descrição precisa de procedimentos educativos condicionantes, mas notamos claramente um controle social baseado na obediência, na alienação e no medo. Quais mecanismos são utilizados pelo Partido Interno para assegurar a estabilidade deste sistema? (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) O Partido não precisa mais controlar os indivíduos. A situação de violência alarmante em que vivem as pessoas faz com que elas desejem espontaneamente um sistema de controle que lhes mantenha protegidas.

b) Os indivíduos sentem-se satisfeitos com as condições em que vivem, além de poderem se reconfortar através do uso de drogas leves, como o gim e o tabaco, em situações de instabilidade emocional.

c) O partido controla a sociedade através da manipulação das informações e da manutenção de um estado permanente de guerra, impondo através das teletelas e dos rituais (como o minuto e a semana do ódio), as notícias e ideias que lhe convêm, incutindo nos indivíduos a sensação de medo, desconfiança e insegurança.

d) O exercício do duplipensar (duplipensamento), “capacidade de abrigar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e acreditar em ambas” permite que o intelectual do Partido saiba que sua memória precisa ser alterada, que a realidade está sendo manipulada e ao mesmo tempo se convença que ela não está sendo manipulada. Através deste “logro mental” o partido consegue controlar os indivíduos mais bem informados, fazendo com que sejam também “os que estão mais longe de ver o mundo como ele é”. Já os “proletas”, não precisam ser controlados, pois são incapazes de perceber o que acontece de se mobilizar socialmente.

e) Nenhuma das alternativas anteriores.


QUESTÃO 06

06 - Em que medida pode-se afirmar que o principal fundamento da distopia imaginada por Orwell em 1984 era o duplipensar (duplipensamento)? Examine as duas definições orwellianas de duplipensar que estão no artigo 1984 de Orwell e escolha a(s) melhor(es) alternativa(s): (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) Sim, sem o duplipensar (duplipensamento) não seria possível manter a ditadura do Grande Irmão (quer dizer, do Partido Interno) pois as pessoas, mais cedo ou mais tarde, descobririam que a realidade estava sendo continuamente falsificada.

b) Sim, o regime monstruoso de 1984 não teria a menor estabilidade sem a inoculação dessa infecção da razão pela qual a violação da lógica era rigorosamente lógica, justificando qualquer ação de interesse do partido se manter no poder.

c) Não, o principal fundamento da distopia orwelliana é ter substituído os sonhos utópicos de igualdade, liberdade e abundância e as concessões para alcançá-los, pelo desiderato brutal, imposto por uma realpolitik levada às suas últimas consequências, sem qualquer justificativa futura, do poder pelo poder (ou seja do poder como fim em si mesmo). Como disse O'Brien, sacerdote-torturador do Partido Interno, explicando ao preso Winston, do Partido Externo, os reais objetivos do Partido no poder: "O Partido procura o poder por amor ao poder. Não estamos interessados no bem-estar alheio; só estamos interessados no poder. Nem na riqueza, nem no luxo, nem em longa vida de prazeres: apenas no poder, poder puro. O que significa "poder puro" compreenderá, daqui a pouco. Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Todas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim. Sabemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura para salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder. Agora começou a me compreender?"

d) As alternativas a) e b) não são colidentes com a alternativa c): ter como fundamento o poder pelo poder - sem qualquer justificativa ou promessa, baseada num mundo futuro melhor - requer o duplipensar.

e) Nenhuma das alternativas anteriores.


QUESTÃO 07

07 - Quais indicadores de um modo de regulação autocrático podem ser percebidos no mundo descrito por Orwell em 1984? (Atenção: você pode marcar mais de uma alternativa)

a) A inexistência de leis. Nada era ilegal e, ao mesmo tempo, tudo podia ser ilegal, dependendo da vontade discricionária do Partido Interno (Núcleo do Partido).

b) A arquitetura monumental dos prédios estatais (que contrastavam com a arquitetura circundante), sobre do Ministério da Verdade, do Ministério da Paz, do Ministério do Amor e do Ministério da Fartura (ou da Pujança).

c) A existência de uma Polícia do Pensamento (ou Polícia das Ideias) e de crime de opinião (de ideia ou pensamento: crimidéia ou pensamento-crime).

d) O estado permanente de guerra (ou seja, de construção de inimigos - externos e internos - e a organização da sociedade pelo Estado-Partido para se defender e atacar tais inimigos, não importando para nada quem fossem tais inimigos e, nem mesmo, se eles fossem reais ou imaginários).

e) O fato de o Estado não existir como ente público e ter sido substituído pelo Partido (uma organização privada, rigidamente centralizada).

f) A alteração contínua do passado para construir e manter um falso presente eterno, sem futuro (a não ser como repetição de passado, por sua vez sempre alterado no presente). Como dizia o lema do Partido: "Quem controla o passado controla o futuro, quem controla o presente controla o passado".

g) Nenhuma das alternativas anteriores.

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