

Tudo depende da forma como as pessoas e as empresas se integram em redes complexas.
César Hidalgo do MIT, em entrevista à Ana Clara Costa, nas páginas amarelas da Veja (19/08/2015).
É o que venho dizendo há mais de 15 anos. Quem me conhece já está enfarado de ouvir a cantilena. Agora o físico chileno César Hidalgo, do Media Lab (MIT), declara, em outras palavras, que o fundamental não é o capital humano (educação) e sim o capital social (as redes, a confiança e a cooperação). Vejam alguns trechos:
“O Vale (do Silício) se tornou um sistema tão complexode produção de conhecimento que seu funcionamento independe de um indivíduo qualquer. A melhor cabeça poderia desaparecer agora de lá e isso não faria a menor diferença. O sistema continuaria funcionando e aprimorando-se. A questão mais interessante que o exemplo nos propõe é por que, havendo tanto dinheiro e a mesma educação de qualidade em outras regiões dos Estados Unidos, não surgiram outros polos tão inovadores. Por que o corredor tecnológico de Boston, com tantas universidades de primeiro nível, foi superado pelo Vale do Silício? Por que o Brasil é menos desenvolvido que os Estados Unidos? A resposta é a mesma. Tudo depende da forma como as pessoas e as empresas se integram em redes complexas… A economia só cresce se a capacidade de processamento se amplia, agregando pessoas qualificadas, empreendedoras e que confiam umas nas outras. A confiança diminui o custo de transação. Com ela, é mais fácil interagir… Só assim é possível participar de redes mais amplas, acumular conhecimento e, eventualmente, atingir graus mais altos de complexidade. Sociedades com baixo grau de confiança organizam-se em redes sociais menores e mais frágeis, em que menos informação circula e a chance de fazer coisas complexas é menor”.